Sempre que te quero


Art/e (c) Vadim Stein photography

Sempre que te quero
tenho-te,
qual licor de ameixa
escorrendo volúpia entre os dedos
e searas nos mamilos.

Sempre que te quero
imagino-te
qual tela de Modigliani
em êxtase de vitória
arrebatamento súbito de minha púbis
entre teus dedos,
teu sexo resplandecendo vida
em meu ventre.

Poderão nunca vir a ser nossos os filhos,
e muito menos as palavras feitas e sempre apreciadas,
assim como a comemoração dos dias e das aves em cópula
as pérolas, as safiras, as esmeraldas e os topázios…

Mas sempre que nos quisermos
estaremos aguerridamente um no outro
muito para além do tangível
porque fomos concebidos na origem dos dias
e ainda que momentaneamente perdidos
na enseada
voaremos na migração dos flamingos
até à exaustão da paixão e da memória.

© Célia Moura
(Vadim Stein photography)

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