Não sou! Não existo!


(c) “Google”

Não sou!
Não existo!
Não estou e não estarei.

Jamais será este o poema findo,
ainda que ontem meu corpo
tenha permanecido nu
em vosso deleite
perante Mozart
na despedida.

Nunca fui!
Nunca existi!
Porém estou.

Quero lá saber quem sois?

Brindo ao Circo dos ausentes
com chá de curcuma, canela
hortelã!

Abençoadas serão as mulheres eleitas
ou talvez não!
Meu corpo é cetim feito de rosas,
minha Mãe!

Não, amada filha, teu
corpo é meu!

Mãe,
Não sou!
Não existo!

Não estou e não estarei.
Esta exaustão Mãe que ninguém há-de saber!

Que escureça meu rosto para sempre em trevas
este ventre seco!
Saber-me-à a maldição enquanto eu mesma
não me libertar!

Para sempre minha Mãe, até sempre!

Quanto ao resto, voa minha princesa, vai além de nós.
voa libelinha, vai muito para além de mim e de ti…

© Célia Moura

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