Vivo na subtileza dos cristais


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Vivo na subtileza dos cristais
e na ternura com que uma flor de lótus
se abre ao amanhecer.
É de paixão essa lava onde me deleito
num fascínio absurdo
como se de mim tantos gritos se soltassem.
Penso, porque o pensamento não estanca,
em todos os seres vivos
que vai queimando pelo caminho.
Provavelmente é meu espírito que chora,
eu que já me desabitei do pranto.

Vivo na subtileza dos cristais
na delicadeza das sementes,
no odor a terra acabada de fecundar
e no meu útero prometido.
E tal como a flor de lótus
assim me dou a um novo amanhecer.

© Célia Moura

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