É quando os olhos dos cegos se iluminam


Art/e (c) Vadim Stein photography

É quando os olhos dos cegos
se iluminam
e a chuva derrete todo o pó
em lama
que me chamas maldição, alento, profecia.
Mas eu que já não estou no umbral da tua porta,
que já não vivo em nós
permito que o eco das vozes deambule livre
pelos campos onde fui menina
onde só a água do meu rio me beija os seios
só meu leito nupcial anunciado
me faz sucumbir ao êxtase,
quando me dispo atravessando o fogo
e na face uterina da noite
me entrego e purifico.
É precisamente aí que me amaldiçoas.

Parto com as pombas!

© Célia Moura, a publicar
(Vadim Stein photography)