É Natal


Art/e (c) Denis Buchel Photography

É Natal
Do peito não desarma a voz
Que faz vibrar o burburinho das nascentes
E cânticos nos umbrais das portas.

Por instantes, tantos
Erguem-se sorrisos qual estandartes
E a sedenta fome já não dói como uma côdea de pão
A bater num estômago vazio
Não esbugalha faminto o olhar,
E anseia pela noite.

Por dias, alguns
Quase todas as crianças são lembradas,
Angariam-se presentes, fazem-se campanhas como nunca

Do peito dos Homens está acesa uma fogueira.
E meu irmão, por instantes vem-nos à memória
Como uma suave brisa que passa
Que todos somos irmãos.

Sim, é Natal aqui na terra de nós.
Uma celebração de tantos subterfúgios, de união sim,
Mas quanta fachada, quanta porta encerrada!

Do peito não desarmará a voz
Até Natal ser raiz que brote e frutifique Amor
Muito para além de presentes, do efémero presente.

É Natal.
Adormeci num sorriso de criança.

© Célia Moura – a publicar “Terra De Lavra”
(Denis Buchel Photography)

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