O Teu Natal, Irmão


Art/e (c) Takis Poseidon Photography

O Teu Natal, Irmão
Sento-me na margem do abismo,
Já nem sinto vertigens
Apenas no âmago
As entranhas se revolvem.

Se eu pudesse vomitar minhas próprias vísceras
Ah se eu pudesse!

Tu que consomes, insaciavelmente te consomes
Pára!

Tu que buscas o Natal da sofreguidão
Abarrotando “shoppings” nessa futilidade alienada
Como se fosses acéfalo
Sem pensar no teu Irmão
Ou quem sabe uma vez no ano te lembres que existem pobres.
Ah pois!
Vamos lá ser solidários, é Natal!
Vamos alimentar aqueles que penaram e se arrastaram um ano inteiro,
Tantos Zés, tantas Marias, tantos sorrisos de crianças abafados numa casa vazia…

A sorridente hipocrisia a bailar o samba, a rumba, o folclore da miséria
Ruído estridente de circo a transbordar aplausos frios.

Deus meu, Deus meu
Quem dera fôssemos somente lírios do campo
E ainda trouxéssemos musgo nas mãos
Como as crianças em nós ficaram esquecidas.

© Célia Moura
(Takis Poseidon Photography)

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