Nada restou de ti


nada-restou

Art/e (c) (Alejandro Rosemberg Photography)

Nada restou de ti
Senão o eco dolorido dos teus passos
Pelo antigo soalho,
E é tanto (meu) amor
Que essa profana que em mim habita
Sai rua fora
Incendiada de instantes
Rebolando nas famintas coxas,
Trôpega, a saudade…

Mas eu que sou ninho de andorinha
Murmúrio de vento aninhado
Beijando beirais

Permaneço lá
Exilada à velha casa
Porque me nasceste colina
Entre os seios
E lírios nos cabelos

Não, nada restou de ti
Senão esta dilacerante embriaguez de Vida
Que me revolve e renasce
Todo o sangue nas artérias.

© Célia Moura – in “No Hálito de Afrodite”, 2018
(Alejandro Rosemberg Photography)

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