Confesso que te amo


(c) Juan Medina painting

Confesso que te amo,
sempre te amei
mesmo que nada te consiga dizer
pois emudeceste-me até à foz.

Ainda que não te suporte
e faça renascer cardos,
sou como o rio que te acaricia os pés
e o caminho.
E mesmo que sejas incapaz
de um pequeno gesto
que me faça sorrir de novo
a ti me entrego.

Como tem sido árduo este caminho,
sufocante este grito que não sai,
e permanecer tão distante de tudo e do mar!
Mas eu sou a água que te mata a sede
a alegria que já não toleras
enquanto me queimas em todas as palavras.

Quem dera que me amasses ainda,
nesta sublimação da angústia que nos trespassa
como uma farpa
porque te amo até nas injúrias sem nexo
e sei que te amarei até ao fim de mim
da mesma forma que te desprezo
por não me seres raiz.

(c) Célia Moura, a editar
(Juan Medina painting)