Orgasmos Múltiplos


Orgasmos Múltiplos

Porque o semblante das rosas
é cântico
que enaltece meus seios apaixonados de Outono
permito-me a todas as ousadias
levando-te comigo
até aos alicerces da casa branca.

Quero rir contigo mais uma e outra vez,
sem cessar,
quero desejar-te nos locais mais incautos Continuar a ler

Esta foi a catarse gerada


(c) Marittie de Villiers painting

Esta foi a catarse gerada
no silêncio uterino da dor.
A mais violenta
e a mais pura
eternizando gratidão
nos seios de Afrodite.

A catarse que edificou todos os estilhaços
que meu próprio luto de mim se humilhou.

Esta foi a catarse gerada
que fez do pranto a paixão parida
no sangue das palavras e da cegueira Continuar a ler

Amor Adiado


Amor Adiado

Enquanto a chuva cai feroz na vidraça
do quarto
dou por mim sorrindo como a criança feliz
dançando ao redor do Chafariz do Largo.

E, enquanto saboreio o som dos trovões
recordo minha avó rezando,
todas as mulheres da casa naquela ladainha
que jamais saberei.
A avó enxotando as cabras,
refugiando as galinhas
por causa das raposas…
e eu, provavelmente lendo Torga. Continuar a ler

O musgo que me torneia os quadris


Art/e (c) Alecu Grigore Photography

O musgo que me torneia os quadris
E se revolve
No fogo da minha redenção
É o mesmo que outrora respiravas
Néctar no transe das línguas
Em taças de lua minguante
Poque a cheia
É de todas as fêmeas
Que sabem lamber cicatrizes
E comigo arrancam gargalhadas Continuar a ler