Bebo-te às golfadas


Art/e (c)J Juan Medina Painting

Bebo-te às golfadas
Meu êxtase de olhares vislumbrados
Em cadências súbitas
Nas tuas mãos de organza
Em minhas coxas prenhes de grito
E de ti.

Estilhaço-me
Nas naus dos navios
Que teus braços arrastam de mim Continuar a ler

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DESABITO-TE


Art/e (c) Bruno Bruni Sculpture

DESABITO-TE
Neste momento em que mordo
A aura à solidão,
Desabito-te.

Poderás imaginar o êxtase que em meus seios
Se escorre
Por amaldiçoar
Teu nome,
Debatê-lo contra as rudes pedras da calçada, Continuar a ler

Sei da carícia das giestas em flor


Art/e (c) Sergue Marshennikov painting

Sei da carícia das giestas em flor
Dos arcanjos em núpcias
E do Desejo
Que me entrelaçava
À dança dos nenúfares
Sempre que me dizias:

‘Meu amor.’

Sei do odor a vodka e sexo
No espelho do quarto,
Do derradeiro abraço,
Nunca por nós desenhado Continuar a ler

Deslumbrei-me no teu leito de cântaros


deslumbrei-me

Art/e (c) Carmelo Blázquez Jiménez Photography

Deslumbrei-me no teu leito de cântaros
Onde dantes vinha morrer o enxofre do meu corpo
Em beijos de Chopin,
Musgo,
E clareiras de gritos que soaram de ti
Nesta Terra de sangue, sacrificio, mentira,
Meu doce licor,
Amada minha,
Bandeira içada ao meu tormento Continuar a ler

Debruço-me do parapeito do silêncio


debruço-me-parapeito

Art/e (c)Antoine de Villiers Painting

Debruço-me do parapeito do silêncio
Disposta a agarrar uma réstia de nós
Mas tudo em mim são divagações
Entre as cortinas da sala e o passado.

Rodopio como uma mariposa entre a luz e o descalabro
E tudo em mim é lume, ânsia de absoluto

Porém danço nas tuas mãos
Sempre nelas me despirei,
Esta paixão que em mim delira
Como num primeiro dia. Continuar a ler

Se Eu Fosse o Teu Poema


Art/e (c) Monika Luniak painting

Art/e (c) Monika Luniak painting

Se Eu Fosse o Teu Poema
Ah se eu fosse poema
Haveria de te degustar amada minha
Inteira tal como um trago de aguardente bem velhinha,
Sugar teus poros como aquele que se excita
Na prostituta mais imunda torneando a estrada
Como se torneasse teus mamilos
E ainda que viessem ninfas e
Orquídeas pelo meu sexo acima
Que me importaria! Continuar a ler

Que eu seja para sempre tua!


que-eu-seja

Art/e (c) Antoine de Villiers Painting

Que eu seja para sempre tua!
Que eu seja para sempre tua,
Fazendo e desfazendo
Indo e vindo como as marés!

Que sejas tu meu colo
De mariposa louca
Onde possa arder esta lava
Que me consome alvoradas
E toda a nossa casa uma fogueira
Dessa paixão onde ouso morder
Tua boca
Em vez da poesia… Continuar a ler