Lançamento do Livro – “No Hálito De Afrodite” – 14.Dez.2018 | 18h00


Estão todos convidados!

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Se Eu Fosse o Teu Poema


Art/e (c) Monika Luniak painting

Art/e (c) Monika Luniak painting

Se Eu Fosse o Teu Poema
Ah se eu fosse poema
Haveria de te degustar amada minha
Inteira tal como um trago de aguardente bem velhinha,
Sugar teus poros como aquele que se excita
Na prostituta mais imunda torneando a estrada
Como se torneasse teus mamilos
E ainda que viessem ninfas e
Orquídeas pelo meu sexo acima
Que me importaria!

Que teu corpo fervilhasse sevilhanas
Pelo dorso das colinas Continuar a ler

São para ti


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Art/e (c) Caras Ionut Photography

São para ti
estes risos, rodopios que provoco
à raiz do sangue
São de ti meus dias de amoras silvestres
porque os outros urge torná-los doces…
Os olhos que trago, esses tentam fotografar
no tempo teu rosto
minha audição desperta a essa tua voz
que guardo e degusto
como um vinho de preciosa casta Continuar a ler

Teu Mural


Art/e (c) Jean Claude Sanchez Photography

Art/e (c) Jean Claude Sanchez Photography

Teu Mural
Fujo contigo para debaixo da mesa
Aquela que restou do sobrado da minha Avó

Já nenhum olhar nos constrange
Ouvem-se os grilos na tapada
Porém todos os sussurros de prazer respeitam memórias ancestrais
Ainda que após o ansiado coito nupcial
Da infância
Soltemos gritos como indígenas
Ou pássaros loucos Continuar a ler

Conta Comigo Sempre Meu Amor


Art/e (c) Alberto Pancorbo painting

Conta Comigo Sempre Meu Amor
Ao menos que me contemplasses como espécie híbrida
monte de pedras da calçada por ti idolatrado,
ácido sulfúrico em ebulição
tormenta de tantas vozes moribundas de bêbados
pelo chão onde rastejam víboras tão velhas em lascívia
meu amor tão mal amado!

Deixa que te oferte a fêmea em cio para teu manjar!

Vem para o campo, deixa a selva dos Homens!
Esse teu tempo perdido onde se quebraram todas as promessas em conversas de tasca celebradas entre mais um copo e um aperto de mão que não Simboliza nada. Continuar a ler

Seara Em Pleno Cio Despida


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Art/e (c) Caras Ionut Photography

Seara Em Pleno Cio Despida
Serei sempre essa tinta que escorre pela tua vitoriosa caneta de aparo,
Assim como o sorriso que nasce nos vales
Subindo suavemente pelo dorso da colina
Que não podemos vislumbrar da janela opaca dos olhos
Porém sentimos o odor do rosmaninho entre os dedos
E um pousar rubro de papoilas entre meus seios
Escorrendo mel. Continuar a ler

Como eu gostava de ser a coroa de flores que trazes na cabeça


Art/e © Keith Persall

Como eu gostava de ser a coroa de flores que trazes na cabeça
as mãos com que ajeitas os seios no decote
o vento que te levanta o vestido!

Morder em ti esse riso de miúda sem idade
rebeldia que me alucina e embriaga
olhar-te no chão desta quimera
vendo-te bailar entre a casa branca estilhaçada
e o riso das papoilas. Continuar a ler

Pó de Perlimpimpim


(c) “Google”

Pó de Perlimpimpim
Sou como a mais miserável,
por tantos amada
por mais outros tantos escorraçada!

Sou a que poucos amou, sendo forçada,
a alvorada queimando a escada
o estilhaço da granada que te apunhalou na garganta,
amordaçando tua boca de beijos.

Sou essa gaivota que grita e nada se agita!
O céu profundo que escurece nas pernas das moiras Continuar a ler

Eu sou aquela que jamais verás


Ar/e © Chris Lloyd photography

Eu sou aquela que jamais verás.
A semente que em tuas mãos mirrará
o viçoso e gritante corpo de mulher abandonado.
Sou todas as bocas por beijar,
todos os seios por amar
e vielas onde nos poderíamos dar.

Sou a tua menina e a tua mulher
sem nunca o haver sido
ainda que por tal me tomasses! Continuar a ler

Chuvas de Outono


(c) “Google”

Chuvas de Outono
Ela desce oblíqua
Beijando teu útero
Onde renasce uma nova sinfonia,
Terra ferida na ferocidade do estio
Deturpação de cérebros ocos
Gestos alienados.

Elas, as primeiras chuvas de Outono
Devolvem-te as mãos que acariciam,
As mãos que salvam!
Envolvem-se no solo declarando seu pacto de paixão. Continuar a ler