Mãe


Art/e (c) Leon Perrault

Mãe
Vou ali à aldeia cimeira comprar um pedaço de vento
Para o jantar e um sopro de luar para a ceia,
Beberei licor de rosmaninho e mel na eira
Mas trago-te um pouco na ternura dos olhos
E na volta quando doar meu corpo à ribeira
Não esquecerei o cântaro de barro
Que me ensinaste a colocar à cabeça
Sempre que na nossa casa chilreavam recém-nascidos
Os pássaros. Continuar a ler

Se ao menos o cansaço fosse efectivamente exaustão total e absoluta


Art/e (c) A. Braginsky painting

Se ao menos o cansaço fosse efectivamente
exaustão total e absoluta
se eu pudesse fechar todas as portas e ir embora
deste requinte onde os telefones
de tanto matraquear meu cérebro
não descansam
e me povoam de esquizofrenia
psiquismos além de eufemismos. Continuar a ler

Cansei do mel


cansei-do-mel

Art/e (c) Emmanuelle Brisson Photography

Cansei do mel!
Isso, devagar tão suave como a pluma que trago
No feitiço dos teus olhos
Estremece-me as coxas de desejo.

Leva-me até às margens da loucura
Eleva-me nesse ideal
Onde o sangue ferve até doer.

Isso, em cadência agora como num ritual
Lança ao fogo todo o lixo grotesco e rude Continuar a ler