ALDEIA [Poesia-Dita]


Poema de © Célia Moura – dito pela própria
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A azinhaga dos sonhos


Art/e (c) Emmi Luck Photography

A azinhaga dos sonhos
É repleta de portões
Meu amor,
Tão cerrados
Quanto as mãos que se erguem contra a fome…

Sempre as mesmas máscaras malabaristas,
As mesmas hienas tão sorridentes, Continuar a ler

Venho do profundo mar de acácias


Art/e (c) Anja Milen Photography

Venho do profundo mar de acácias
Dos sulcos cravejados a odor
De compaixão
E da insanidade dos teus braços.

Venho da noctívaga força dos orixás
E do fragmentado desdém lançado
Ao rosto dos Homens.

Hibernei nas palavras, nas mãos que beijei, no caminho que não ousei… Continuar a ler

Anda rodopiar comigo umas miseráveis estrofes


1796520_600491436701349_81281016_n (1)Anda rodopiar comigo umas miseráveis estrofes
pelas praças,
rasgar com os dentes
estes véus de Absurdo
cantar a exaustão
até exaustos
finalmente gargalharmos
cuspindo no rosto dos canalhas
a genialidade das giestas ainda em flor
tal como a ternura deste oceano que se enfurece
vomitando pragas… Continuar a ler

Rasgar o Verso


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Art/e (c) Mecuro B Cotto Phtotography

Rasgar o Verso
Estou pisando,
Repisando em cima do verso
Como meu avô moía as uvas
No lagar da adega,
E sinto-os destilar mosto do tempo.

Estou pisando,
Repisando, dançando sob a figueira mãe
O cadáver de um Sistema,
Estas grilhetas asfixiantes
Na minha canção de criança. Continuar a ler

Meu rio


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Art/e (c) Daniel Gerhartz Painting

Meu rio
Nasceram-me os poemas indecisos entre os dedos
como num sismo beijado de Primavera
e com a ternura de um novo amanhecer
sempre desejado
como quem anseia o alimento
e a água para se saciar,
revolvi a terra com as mãos,
senti-lhe o pulsar do coração
dancei na eira,
fustiguei o joio
pulei no fogo da minha própria inquisição
e pari lírios nas margens do rio. Continuar a ler

O Sal da Terra


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Art/e © Jokin Romero Photography

O Sal da Terra
Nós somos as vozes da jornada,
A erecção dos cravos ao som da guitarra, do batuque,
Pela madrugada.

Nós somos as mãos que gritam em mil gestos obscenos,
A desobediência que nos foi imposta

Nós somos o sal da terra,
O hino que ainda soa e atordoa
Incrédulos ouvidos,
Trazemos a bandeira em haste
Herança de nossos pais. Continuar a ler