Meu rio


meu-rio

Art/e (c) Daniel Gerhartz Painting

Meu rio
Nasceram-me os poemas indecisos entre os dedos
como num sismo beijado de Primavera
e com a ternura de um novo amanhecer
sempre desejado
como quem anseia o alimento
e a água para se saciar,
revolvi a terra com as mãos,
senti-lhe o pulsar do coração
dancei na eira,
fustiguei o joio
pulei no fogo da minha própria inquisição
e pari lírios nas margens do rio. Continuar a ler

Anúncios

O Sal da Terra


sal-da-terra

Art/e © Jokin Romero Photography

O Sal da Terra
Nós somos as vozes da jornada,
A erecção dos cravos ao som da guitarra, do batuque,
Pela madrugada.

Nós somos as mãos que gritam em mil gestos obscenos,
A desobediência que nos foi imposta

Nós somos o sal da terra,
O hino que ainda soa e atordoa
Incrédulos ouvidos,
Trazemos a bandeira em haste
Herança de nossos pais. Continuar a ler

Anda rodopiar comigo umas miseráveis estrofes


1796520_600491436701349_81281016_n (1)Anda rodopiar comigo umas miseráveis estrofes
pelas praças,
rasgar com os dentes
estes véus de Absurdo
cantar a exaustão
até exaustos
finalmente gargalharmos
cuspindo no rosto dos canalhas
a genialidade das giestas ainda em flor
tal como a ternura deste oceano que se enfurece
vomitando pragas… Continuar a ler

Reflectida no amarelecido espelho de outrora


10371965_751003298316828_2743694852840069303_n (1)Reflectida no amarelecido espelho de outrora,
Fitando-me,
Sorrindo com aqueles olhos negros
Que sempre me tinham guiado
Como dois faróis imensos,
Pegava na minha mão
Uma criança,
Rodopiando leve como uma folha num entardecer de Outono
Fazendo-me correr por todas as ruas Continuar a ler