Útero


Art/e (c) Patrick Odorizzi photography

Útero
Soltam-se gritos do meu corpo
como fluídos nesta metamorfose de palavras absurdas
de bêbados conversando madrugada fora
enquanto sabes que estou na esquina mais oblíqua
junto com a prostituta e o desertor.

Sim, claro que bebo um copo com os que se embriagaram um pouco mais, Continuar a ler

O MEU QUARTO


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Ar/e (c) Anton Ostlund Photography

O MEU QUARTO
Ai grotescas pedras do meu,
Teu, nosso caminho,
Lançadas à janela do meu quarto.
O meu quarto fechado entre quatro paredes de lágrimas.

O Caos!
Os outros!
Eu!

Ai maldição manifesta num abismo mais profundo que a própria Dor
Que me dilacera a carne
De ser absolutamente animal e só! Continuar a ler

BEBEDEIRAS DE JASMIM


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Art/e (c) Anna Razumovskaya Painting

BEBEDEIRAS DE JASMIM
Meu corpo é somente o teu corpo!
Um instinto,
Um sopro Divino, uma ânsia magistral,
Exaurida de vida,

Sobrevoando pálidos sorrisos.

Nossos corpos,
Incandescência – são a prece
Que pressinto!

Seiva de mais um grito…
um apelo aos amantes! Continuar a ler

Conta Comigo Sempre Meu Amor


Art/e (c) Alberto Pancorbo painting

Conta Comigo Sempre Meu Amor
Ao menos que me contemplasses como espécie híbrida
monte de pedras da calçada por ti idolatrado,
ácido sulfúrico em ebulição
tormenta de tantas vozes moribundas de bêbados
pelo chão onde rastejam víboras tão velhas em lascívia
meu amor tão mal amado!

Deixa que te oferte a fêmea em cio para teu manjar!

Vem para o campo, deixa a selva dos Homens!
Esse teu tempo perdido onde se quebraram todas as promessas em conversas de tasca celebradas entre mais um copo e um aperto de mão que não Simboliza nada. Continuar a ler

Néctar De Mim


néctar de mim

Art/e (c) Marius Markowski painting

Néctar De Mim
Pari de mim este Amor
E meus dedos acenderam
Este corpo de miséria
Em mariposas loucas,
Nua de silêncios
Inaugurei-me jardim
Lambi sílaba por sílaba
O poema interdito
A carícia nos mamilos
O frenesim acetinado
Carmim dos lençóis
Néctar de Afrodite, Continuar a ler

DESTINO


destino

Art/e (c) Roman Frances Painting

DESTINO
Minhas mãos
Que jamais tocaram teu corpo, mulher,
Saboreiam teu andar de cigana,
Descalço,
Sobre o trigo.
Esse trigo já maduro, já rebelde do perder da infância…
Meu amor de abandono e de segredo,
Qual absinto.
Rosa vermelha entre os seios…ombros largos de Abril.
Meu destino. Continuar a ler

Se me mordeis o sangue


se-me-mordeis

Art/e © Ümmü Kandilcioğlu Photography

Se me mordeis o sangue
Não me esfacelais a carne
Seda selvagem
Às estrelas oferecida!

E, nem atenteis contra o vento
Pois não podeis acariciar-me as penas
Ao pensamento lapidado
Na migração das andorinhas
Imponente nos meus claustros consagrados
De desdém! Continuar a ler

ADORMECI, NUM PÁSSARO AZUL


Adormeci-num-pássaro-azul

Art/e (c) Robert Cornelius Photography

ADORMECI, NUM PÁSSARO AZUL
Adormeceu em mim um pássaro azul.

Toda a noite dormiu nos meus seios, silencioso.

A chuva gritava feroz na vidraça.
O vento assobiava errante por entre os penhascos.

Que alma de gente terás tu, meu lindo e sereno pássaro azul? Continuar a ler