NOS CORNOS DA VIDA


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Art/e (c) Antoine de Villiers Painting

NOS CORNOS DA VIDA
Não!
Não sou filha de ninguém!
Contraceno sozinha nos cornos da vida.
Sou toda a presença!
Sou todas as ausências.

Contraceno com as disformes sombras da cidade adormecida
Numa insónia…rebolo-me na ventania.
Beijo folhas de árvores caídas, gotas de chuva breves e o olhar de
Mais um mendigo…fulminante quanto ausências.
Nada me dói… – somente as palavras lançadas como farpas! Continuar a ler

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O MEU QUARTO


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Ar/e (c) Anton Ostlund Photography

O MEU QUARTO
Ai grotescas pedras do meu,
Teu, nosso caminho,
Lançadas à janela do meu quarto.
O meu quarto fechado entre quatro paredes de lágrimas.

O Caos!
Os outros!
Eu!

Ai maldição manifesta num abismo mais profundo que a própria Dor
Que me dilacera a carne
De ser absolutamente animal e só! Continuar a ler

ANJO DE PILATOS


anjo de pilatos

Art/e (c) Monica Denevan Photography

ANJO DE PILATOS
Quem dera saborear toda a tua dor de infinito,
O teu cansaço de homem,
Meu anjo de Pilatos,
Agrura de minhas açucenas imaculadamente brancas
E morder-te o sangue no prazer de te ver
De novo adolescente entre todos os astros e a Via Láctea
Inventando novas regras, sobrevoando…
…antúrios. Continuar a ler

O TEU BANDOLIM


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Art/e (c) Cene Gál István Painting

O TEU BANDOLIM
Lá longe, meu amor
Bem longe,
Os barcos ainda partem do cais.
Sinto saudade meu amor
Sinto saudade,
Das tuas mãos a acenar entre a nostalgia do vento e o entardecer
Das gaivotas em debandada
E do teu bandolim
Que ressoava no silêncio da maresia
Entre toda a imensidão inimaginável. Continuar a ler