O MEU QUARTO


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Ar/e (c) Anton Ostlund Photography

O MEU QUARTO
Ai grotescas pedras do meu,
Teu, nosso caminho,
Lançadas à janela do meu quarto.
O meu quarto fechado entre quatro paredes de lágrimas.

O Caos!
Os outros!
Eu!

Ai maldição manifesta num abismo mais profundo que a própria Dor
Que me dilacera a carne
De ser absolutamente animal e só! Continuar a ler

CRIANÇA DE NINGUÉM


Art/e (c) Caras Ionut Photography

CRIANÇA DE NINGUÉM
Vós, que sempre me sorris,
Dizei-me, vos rogo
Por onde vagueia hoje aquela pobre menina que sozinha
Chorava pela estrada?

Ela tinha mãe!
Ela tinha pai!

Mas, ela não pertencia a ninguém. Continuar a ler

BEBEDEIRAS DE JASMIM


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Art/e (c) Anna Razumovskaya Painting

BEBEDEIRAS DE JASMIM
Meu corpo é somente o teu corpo!
Um instinto,
Um sopro Divino, uma ânsia magistral,
Exaurida de vida,

Sobrevoando pálidos sorrisos.

Nossos corpos,
Incandescência – são a prece
Que pressinto!

Seiva de mais um grito…
um apelo aos amantes! Continuar a ler

DESTINO


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Art/e (c) Roman Frances Painting

DESTINO
Minhas mãos
Que jamais tocaram teu corpo, mulher,
Saboreiam teu andar de cigana,
Descalço,
Sobre o trigo.
Esse trigo já maduro, já rebelde do perder da infância…
Meu amor de abandono e de segredo,
Qual absinto.
Rosa vermelha entre os seios…ombros largos de Abril.
Meu destino. Continuar a ler

ADORMECI, NUM PÁSSARO AZUL


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Art/e (c) Robert Cornelius Photography

ADORMECI, NUM PÁSSARO AZUL
Adormeceu em mim um pássaro azul.

Toda a noite dormiu nos meus seios, silencioso.

A chuva gritava feroz na vidraça.
O vento assobiava errante por entre os penhascos.

Que alma de gente terás tu, meu lindo e sereno pássaro azul? Continuar a ler

Desvenda-me a madrugada dos teus dedos


Art/e (c) Steve Richard

Desvenda-me a madrugada dos teus dedos
Com que enfrentas
A trégua
Dos meus seios,
Meu vinho doce de amargura
Tão exposto ao veneno doce
Desta loucura.

É de hera a tua língua
Percorrendo meus mamilos sedentos,
Vestes já rasgadas, nesta ânsia
De ti… Continuar a ler

NOS CORNOS DA VIDA


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Art/e (c) Antoine de Villiers Painting

NOS CORNOS DA VIDA
Não!
Não sou filha de ninguém!
Contraceno sozinha nos cornos da vida.
Sou toda a presença!
Sou todas as ausências.

Contraceno com as disformes sombras da cidade adormecida
Numa insónia…rebolo-me na ventania.
Beijo folhas de árvores caídas, gotas de chuva breves e o olhar de
Mais um mendigo…fulminante quanto ausências.
Nada me dói… – somente as palavras lançadas como farpas! Continuar a ler