Desvenda-me a madrugada dos teus dedos


Art/e (c) Steve Richard

Desvenda-me a madrugada dos teus dedos
Com que enfrentas
A trégua
Dos meus seios,
Meu vinho doce de amargura
Tão exposto ao veneno doce
Desta loucura.

É de hera a tua língua
Percorrendo meus mamilos sedentos,
Vestes já rasgadas, nesta ânsia
De ti… Continuar a ler

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MORTALHA NUPCIAL


mortalha nupcial

Art/e (c) Paul van Ginkel Painting

MORTALHA NUPCIAL
Quero um adorno excelso,
Porém singelo,
Minha mortalha quero-a cristalina como a água
De um riacho…
E se me permitirem a submissão aos vossos costumes,
Tão banais, Continuar a ler

NOS CORNOS DA VIDA


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Art/e (c) Antoine de Villiers Painting

NOS CORNOS DA VIDA
Não!
Não sou filha de ninguém!
Contraceno sozinha nos cornos da vida.
Sou toda a presença!
Sou todas as ausências.

Contraceno com as disformes sombras da cidade adormecida
Numa insónia…rebolo-me na ventania.
Beijo folhas de árvores caídas, gotas de chuva breves e o olhar de
Mais um mendigo…fulminante quanto ausências.
Nada me dói… – somente as palavras lançadas como farpas! Continuar a ler

O MEU QUARTO


o-meu-quarto

Ar/e (c) Anton Ostlund Photography

O MEU QUARTO
Ai grotescas pedras do meu,
Teu, nosso caminho,
Lançadas à janela do meu quarto.
O meu quarto fechado entre quatro paredes de lágrimas.

O Caos!
Os outros!
Eu!

Ai maldição manifesta num abismo mais profundo que a própria Dor
Que me dilacera a carne
De ser absolutamente animal e só! Continuar a ler

ANJO DE PILATOS


anjo de pilatos

Art/e (c) Monica Denevan Photography

ANJO DE PILATOS
Quem dera saborear toda a tua dor de infinito,
O teu cansaço de homem,
Meu anjo de Pilatos,
Agrura de minhas açucenas imaculadamente brancas
E morder-te o sangue no prazer de te ver
De novo adolescente entre todos os astros e a Via Láctea
Inventando novas regras, sobrevoando…
antúrios. Continuar a ler

DESTINO


destino

Art/e (c) Roman Frances Painting

DESTINO
Minhas mãos
Que jamais tocaram teu corpo, mulher,
Saboreiam teu andar de cigana,
Descalço,
Sobre o trigo.
Esse trigo já maduro, já rebelde do perder da infância…
Meu amor de abandono e de segredo,
Qual absinto.
Rosa vermelha entre os seios…ombros largos de Abril.
Meu destino. Continuar a ler