A Festa Dos Rouxinóis


A Poeta brasileira Bianca Velloso (‘Um Poema No Ar’ – Projecto da Rádio Comunitária Campeche, Florianóplis, SC, Brasil), lê o meu poema: “A Festa Dos Rouxinóis”

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ADORMECI, NUM PÁSSARO AZUL


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Art/e (c) Robert Cornelius Photography

ADORMECI, NUM PÁSSARO AZUL
Adormeceu em mim um pássaro azul.

Toda a noite dormiu nos meus seios, silencioso.

A chuva gritava feroz na vidraça.
O vento assobiava errante por entre os penhascos.

Que alma de gente terás tu, meu lindo e sereno pássaro azul? Continuar a ler

DESTINO


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Art/e (c) Roman Frances Painting

DESTINO
Minhas mãos
Que jamais tocaram teu corpo, mulher,
Saboreiam teu andar de cigana,
Descalço,
Sobre o trigo.
Esse trigo já maduro, já rebelde do perder da infância…
Meu amor de abandono e de segredo,
Qual absinto.
Rosa vermelha entre os seios…ombros largos de Abril.
Meu destino. Continuar a ler

Desvenda-me a madrugada dos teus dedos


Art/e (c) Steve Richard

Desvenda-me a madrugada dos teus dedos
Com que enfrentas
A trégua
Dos meus seios,
Meu vinho doce de amargura
Tão exposto ao veneno doce
Desta loucura.

É de hera a tua língua
Percorrendo meus mamilos sedentos,
Vestes já rasgadas, nesta ânsia
De ti… Continuar a ler

NOS CORNOS DA VIDA


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Art/e (c) Antoine de Villiers Painting

NOS CORNOS DA VIDA
Não!
Não sou filha de ninguém!
Contraceno sozinha nos cornos da vida.
Sou toda a presença!
Sou todas as ausências.

Contraceno com as disformes sombras da cidade adormecida
Numa insónia…rebolo-me na ventania.
Beijo folhas de árvores caídas, gotas de chuva breves e o olhar de
Mais um mendigo…fulminante quanto ausências.
Nada me dói… – somente as palavras lançadas como farpas! Continuar a ler

O MEU QUARTO


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Ar/e (c) Anton Ostlund Photography

O MEU QUARTO
Ai grotescas pedras do meu,
Teu, nosso caminho,
Lançadas à janela do meu quarto.
O meu quarto fechado entre quatro paredes de lágrimas.

O Caos!
Os outros!
Eu!

Ai maldição manifesta num abismo mais profundo que a própria Dor
Que me dilacera a carne
De ser absolutamente animal e só! Continuar a ler

ANJO DE PILATOS


anjo de pilatos

Art/e (c) Monica Denevan Photography

ANJO DE PILATOS
Quem dera saborear toda a tua dor de infinito,
O teu cansaço de homem,
Meu anjo de Pilatos,
Agrura de minhas açucenas imaculadamente brancas
E morder-te o sangue no prazer de te ver
De novo adolescente entre todos os astros e a Via Láctea
Inventando novas regras, sobrevoando…
antúrios. Continuar a ler

O TEU BANDOLIM


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Art/e (c) Cene Gál István Painting

O TEU BANDOLIM
Lá longe, meu amor
Bem longe,
Os barcos ainda partem do cais.
Sinto saudade meu amor
Sinto saudade,
Das tuas mãos a acenar entre a nostalgia do vento e o entardecer
Das gaivotas em debandada
E do teu bandolim
Que ressoava no silêncio da maresia
Entre toda a imensidão inimaginável. Continuar a ler

FILHA DE ALENTO


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Art/e (c) Eva Creel Photography

FILHA DE ALENTO
Quão singelo
Este segredo da Partida
Rendido ao hálito do silêncio
Quando todas as guitarras trinam a apoteose da Despedida!

Ai, vestígios de maresia
Nos olhos daquela libertária peregrina
Com quem me cruzei
Em ápices de loucura
Remexendo ainda
Vida, no martírio de Hiroshima.

Que memorial te poderá conter o nome
Ó lauta sereia entre corais? Continuar a ler

LOUCURA


loucura

Art/e (c) Colin Staples Painting

LOUCURA
Disciplinais-me, ó Homens superiores?
Sou a selvagem do vento e deste Tempo,
Da Fé que arrotais, ó Senhores da soberba torre.

Vestida de silêncio permaneço,
Embriagada na chuva
Que a seca não permite, empalideço.
Sustentai-me esta maldição desfeita em agonia
Como a alegria que esvoaça
E que jamais tirei. Continuar a ler

O RISO DOS CRAVOS


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Art/e (c) Pino Daeni Painting

O RISO DOS CRAVOS
Em que estrondo me desfaço e estilhaço,
Quando somente desejo as pétalas
De todas as flores
Dos teus canteiros
Que já não tens,
Minha Mãe.

Saberás tu Mãe que não te direi adeus!
Que sempre hei-de permanecer no teu Jardim.

Em que orgias de êxtase e de lamento ouso gritar ainda,
Minha voz de inércia corrompida, Continuar a ler

Ai sede que não estancas


ai sede que não estancas

Art/e (c) Joel Robinson Photography

Ai sede que não estancas!
Ai angústias de Cassiopeia soberbas em pele de arcanjo!
Ai agreste alegria que não vens, jamais!
Exalto-te ó sublimação de sangue e seiva nesta atroz embriaguez!

Que pretendes tu de mim, minha Mãe que ainda pronuncias meu nome,
que desconheço?

Não sou filha de ninguém! Continuar a ler

Entre o segredo, o condão e o desassossego


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Art/e (c) Mima Georgieva Photography

Entre o segredo, o condão e o desassossego
Deste ser inquieto, sempre a rir dentro de mim,
Grito, desfaço,
Despedaço-me, despedaço-te, desejo-te!

Entre as folhagens de abrigo,
Canto mais um grito,
Pecado em convulsão e em mim!

Meu amor de brocado e cetim, Continuar a ler

BEBEDEIRAS DE JASMIM


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Art/e (c) Anna Razumovskaya Painting

BEBEDEIRAS DE JASMIM
Meu corpo é somente o teu corpo!
Um instinto,
Um sopro Divino, uma ânsia magistral,
Exaurida de vida,

Sobrevoando pálidos sorrisos.

Nossos corpos,
Incandescência – são a prece
Que pressinto!

Seiva de mais um grito…
um apelo aos amantes! Continuar a ler

CORPO EM FÚRIA


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Art/e (c) Andre Kohn Painting

CORPO EM FÚRIA
Desleixei-me para ti,
E parti!

Que desta vida abençoada,
É a maldição a sorrir-me descarada!

Ela que era quase tudo,
Hoje é nada!

Nunca te pertenci, ó Vida!

Meus filhos que não tenho,
Jamais seriam de alguém!

Dar-me-iam abraços, vénias,
Bateriam palmas de palavras e ilusão,
Vida doce, Vida amarga,
Que honra seus filhos
Com a desventura,
Te grito:
– Não és absolutamente nada! Continuar a ler