EM SILÊNCIO I


10 Art/e (c) Hossein Zare's Photography

Art/e (c) Hossein Zare’s Photography

EM SILÊNCIO, NO TEU SILÊNCIO – Capítulo I
Entre as incessantes reuniões quotidianas, Gibran sentiu uma voraz e súbita angústia na alma. Agarrou com força a cadeira, com receio de alguma tontura, permanecendo em silêncio. Não era normal, aliás não era nada normal num homem forte e sadio como ele,proprietário de uma das maiores Empresas Petrolíferas da Síria, sentir-se assim.
Mas talvez Hadfa, sua mulher, tivesse razão, ele trabalhava demais! Continuar a ler

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Sofia não vive, Sofia sonha!


11 Art/e (c) Benoit Courti Photography

Art/e (c) Benoit Courti Photography

Sofia não vive, Sofia sonha!
E bom, segundo Descartes “se penso logo existo”, e segundo eu se existo logo penso, então Sofia existe.

Sim existe fisicamente, tem um corpo, um rosto repleto de vida e jovialidade, tem uma mente sadia, é inteligente q.b., porém há tanto tempo que Sofia partiu!
O desapego que no início a existência a infligira como chicoteadas na pele fresca ainda, hoje era nada. Continuar a ler

ESTILHAÇOS DO TEMPO – Parte I


(c) “Google”

ESTILHAÇOS DO TEMPO – Parte I
I
Aquele bar fazia lembrar alguns cafés do centro de Milão, com uma certa nostalgia chique, e muito própria. Adornado de pequenos candelabros, estrategicamente colocados pelas paredes, escoando uma caprichosa luz avermelhada, tornava assim, de um imenso romantismo o ambiente então gerado. Continuar a ler

Sofia e a Pedra


Art/e (c) Mecuro B. Cotto Photography

Sofia e a Pedra
Sofia olha aquela pedra bem diante dela após todo aquele tempo, e é como se a imaginasse dizer-lhe:
– Tu sabes que fui eu quem te feriu naquele princípio de noite não sabes?
– Sei sim – responde Sofia. – Só agora te trouxeram até mim, nunca pensei que te tivessem encontrado. Continuar a ler

ESTILHAÇOS DO TEMPO – Parte III


(c) “Google”

ESTILHAÇOS DO TEMPO – Parte III
Não sei qual o motivo, mas é-me necessário definir esta mulher. Talvez por me fazer recordar alguém, pelo seu semblante enigmático, quando olhado de súbito. Mas, não consigo, no fundo das imagens que me estalam na memória, saber quem me faz lembrar. Só sei que me faz lembrar alguém! Disso, tenho perfeita consciência. Continuar a ler

As bonecas da minha infância


bonecas da minha infância

Art/e (c) Wang Jiang Painting

As bonecas da minha infância
Foram escassas as bonecas da minha infância, talvez por isso me recorde tanto delas, e do seu afastamento de mim, sem nunca ter brincado com elas, porque não me era permitido.
A minha mãe não me deixava com receio de que eu as estragasse. Eram presente das tias ricas, irmãs do meu pai.
Não eram para eu brincar, eram só para de vez em quando eu poder olhar, nunca tocar, elas sempre dentro das caixas, lindas, e só quando eu pedia à minha mãe, sorrindo ela me deixava contemplá-las. Pobre mãe, eu sei que ela talvez não fizesse por mal. Continuar a ler

Só passado algum tempo


10 Art/e (c) Tzviatko Kinchev Painting

Art/e (c) Tzviatko Kinchev Painting

Só passado algum tempo, ela conseguiu digerir aquela pergunta tão directa, vinda de uma criança de sete anos, olhando-a de frente na mesa de um restaurante:
– Porque te mascaras tanto, é para te esconderes?
Somente a vida lhe diria a ela mesma, que sim, toda aquela maquilhagem carregada que usava como se de um ritual já se tratasse, verdadeiramente a escondia.
Ninguém precisava despir-lhe a alma.
Como são sábias as crianças na sua inocência. Continuar a ler

Sofia Mutilada, Sofia Bipolar, Sofia = Dor


12141710_900949499988873_1152309630595326559_nSofia Mutilada, Sofia Bipolar, Sofia = Dor
Sofia entendera naquele dia que não importava quem era, o que fizera ou de onde viera para que de súbito uma desgraça assolasse a sua vida de tal forma que derramasse como um cargueiro em alto mar, veneno em todo o redor, aniquilando vida, ainda que ela tivesse sobrevivido. Continuar a ler

O cão Piruças e a boneca Tucha


577538_553225421427951_1916091486_nO cão Piruças e a boneca Tucha – Episódio Natalício de Infância
Comparada com as minhas amigas, eu era uma criança pobre, para além disso preferia que me oferecessem livros a bonecas, e tinha um cão, um rafeiro chamado Piruças que o meu pai me dera aos sete anos, e que como filha única que era, fazia todo o meu encanto. Continuar a ler

ESTILHAÇOS DO TEMPO – Final


ESTILHAÇOS DO TEMPO – Final
Trago nas mãos como uma preciosa relíquia o poema.
Lembro-me bem do dia em que o celebrámos nosso. Mas, foste tu, meu querido poeta, o autor daquela mensagem, como se estivesses predestinado a deixá-la para mim, para que, em momentos como este, consolasse a minha alma. Continuar a ler

ESTILHAÇOS DO TEMPO – Parte IV


ESTILHAÇOS DO TEMPO – Parte IV
Enquanto ela se demora no banheiro, olha em redor, alheado, e finalmente dá por mim, pela minha presença que eu julgara despercebida, como se invisível me tivesse tornado. Desvio subitamente a atenção para uma estatueta de bronze, simbolizando “Neffertiti”, junto ao principal balcão do bar. Continuar a ler

ESTILHAÇOS DO TEMPO – Parte II


ESTILHAÇOS DO TEMPO – Parte II
A desconhecida está sentada numa certa penumbra, ao fundo da sala. A sua mesa está relativamente próxima daquela onde estou sentada. É a minha mesa habitual, desde que me lembro de ter entrado pela primeira vez neste magnífico bar, há já tanto tempo. Continuar a ler