Podem esfaquear-me à vontade


(c) “Google”

Podem esfaquear-me à vontade
não sinto coisa nenhuma.
Nada poderá ser tão violento e obscenamente belo
quanto a vida.
Podem as pedras soltas da calçada que tanto amais
rasgar meus olhos, meus tímpanos, ferir a paixão do templo,
pois vos entregarei meu corpo inteiro.

Perdi todos os filhos,
deixei sucumbir meu ventre Continuar a ler

Deixa que te embriague desta minha paixão amor


Art/e (c) Andrew Lucas photography

Deixa que te embriague desta minha paixão
amor.
Que nossas mãos se entrelacem
e eu perca todos os sentidos.

Deixa que eu liberte teus olhos
e faça sobrevoar tua alma
muito para além de Maio
enquanto mordemos maçãs,
catarse
e esta tesão asfixiada de nós. Continuar a ler

Celebremos a epopeia


Art/e (c) Antonio Tamburro painting

Celebremos a epopeia
deste tango debruado a vermelho
meu grande e infinito amor
todo ele se derramando em cristais
pérolas e rubis pelas minhas pernas
este grito por milhares de vozes evocado
por outros milhares silenciado!

Celebremos a vitória que nos foi imposta
esta paixão que nos fere e apavora
a solidão que me rasga a pele Continuar a ler

Conta Comigo Sempre Meu Amor


Art/e (c) Alberto Pancorbo painting

Conta Comigo Sempre Meu Amor
Ao menos que me contemplasses como espécie híbrida
monte de pedras da calçada por ti idolatrado,
ácido sulfúrico em ebulição
tormenta de tantas vozes moribundas de bêbados
pelo chão onde rastejam víboras tão velhas em lascívia
meu amor tão mal amado!

Deixa que te oferte a fêmea em cio para teu manjar!

Vem para o campo, deixa a selva dos Homens!
Esse teu tempo perdido onde se quebraram todas as promessas em conversas de tasca celebradas entre mais um copo e um aperto de mão que não Simboliza nada. Continuar a ler

Néctar De Mim


néctar de mim

Art/e (c) Marius Markowski painting

Néctar De Mim
Pari de mim este Amor
E meus dedos acenderam
Este corpo de miséria
Em mariposas loucas,
Nua de silêncios
Inaugurei-me jardim
Lambi sílaba por sílaba
O poema interdito
A carícia nos mamilos
O frenesim acetinado
Carmim dos lençóis
Néctar de Afrodite, Continuar a ler

DESTINO


destino

Art/e (c) Roman Frances Painting

DESTINO
Minhas mãos
Que jamais tocaram teu corpo, mulher,
Saboreiam teu andar de cigana,
Descalço,
Sobre o trigo.
Esse trigo já maduro, já rebelde do perder da infância…
Meu amor de abandono e de segredo,
Qual absinto.
Rosa vermelha entre os seios…ombros largos de Abril.
Meu destino. Continuar a ler