MONÓLOGO DAS MÃOS [Poesia-Dita]


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Um Poema precioso de Giuseppe Ghiaroni.

MONÓLOGO DAS MÃOS – de: Giuseppe Ghiaroni – Dito por: CÉLIA MOURA
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Se Eu Fosse o Teu Poema


Art/e (c) Monika Luniak painting

Art/e (c) Monika Luniak painting

Se Eu Fosse o Teu Poema
Ah se eu fosse poema
Haveria de te degustar amada minha
Inteira tal como um trago de aguardente bem velhinha,
Sugar teus poros como aquele que se excita
Na prostituta mais imunda torneando a estrada
Como se torneasse teus mamilos
E ainda que viessem ninfas e
Orquídeas pelo meu sexo acima
Que me importaria!

Que teu corpo fervilhasse sevilhanas Continuar a ler

O Sal da Terra


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Art/e © Jokin Romero Photography

O Sal da Terra
Nós somos as vozes da jornada,
A erecção dos cravos ao som da guitarra, do batuque,
Pela madrugada.

Nós somos as mãos que gritam em mil gestos obscenos,
A desobediência que nos foi imposta

Nós somos o sal da terra,
O hino que ainda soa e atordoa
Incrédulos ouvidos,
Trazemos a bandeira em haste
Herança de nossos pais. Continuar a ler

Sei da carícia das giestas em flor


Art/e (c) Sergue Marshennikov painting

Sei da carícia das giestas em flor
dos arcanjos em núpcias
e do desejo
que me entrelaçava
à dança dos nenúfares
sempre que me dizias:

‘Meu amor.’

Sei do odor a vodka e sexo
no espelho do quarto,
do derradeiro abraço,
nunca por nós desenhado Continuar a ler

Pó de Perlimpimpim


(c) “Google”

Pó de Perlimpimpim
Sou como a mais miserável,
por tantos amada
por mais outros tantos escorraçada!

Sou a que poucos amou, sendo forçada,
a alvorada queimando a escada
o estilhaço da granada que te apunhalou na garganta,
amordaçando tua boca de beijos.

Sou essa gaivota que grita e nada se agita!
O céu profundo que escurece nas pernas das moiras Continuar a ler

Hoje matei-te!


hoje-matei-te

Art/e (c) Juan Medina Painting

Hoje matei-te!
Sustive a respiração mais sôfrega que eu
E enterrei-te num belo caixão debruado a cetim
A um canto do jardim
Que gozo me deu
Devolver-te todas as flores
Que durante anos
Me ofereceste,
Como punhais!

Brindei com taças de lua cheia
À libertação
De todos os meus sorrisos… Continuar a ler

Tenho uma garça inflamada de sonhos


Art/e (c) Steve Richard Photography

Tenho uma garça inflamada de sonhos no lugar do coração e do meu ventre gritam araras,
Desde o dia que de mim partiste
E sinto-te tal como a chuva abençoada que me encharca os negros cabelos,
Me esborrata a maquilhagem do rosto
E faz dançar no terreiro Continuar a ler

Enquanto existir alguém no meu país que passe fome


(c) “Google” photography

Enquanto existir alguém no meu país que passe fome, crianças retiradas aos pais somente pela pobreza, gente a viver sem as mínimas condições humanas e a violência doméstica permaneça uma espécie de crime banal como há cerca de cinquenta anos atrás, Continuar a ler