EM SILÊNCIO I


10 Art/e (c) Hossein Zare's Photography

Art/e (c) Hossein Zare’s Photography

EM SILÊNCIO, NO TEU SILÊNCIO – Capítulo I
Entre as incessantes reuniões quotidianas, Gibran sentiu uma voraz e súbita angústia na alma. Agarrou com força a cadeira, com receio de alguma tontura, permanecendo em silêncio. Não era normal, aliás não era nada normal num homem forte e sadio como ele,proprietário de uma das maiores Empresas Petrolíferas da Síria, sentir-se assim.
Mas talvez Hadfa, sua mulher, tivesse razão, ele trabalhava demais! Continuar a ler

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ESTILHAÇOS DO TEMPO – Parte I


(c) “Google”

ESTILHAÇOS DO TEMPO – Parte I
I
Aquele bar fazia lembrar alguns cafés do centro de Milão, com uma certa nostalgia chique, e muito própria. Adornado de pequenos candelabros, estrategicamente colocados pelas paredes, escoando uma caprichosa luz avermelhada, tornava assim, de um imenso romantismo o ambiente então gerado. Continuar a ler

Sofia não vive, Sofia sonha!


11 Art/e (c) Benoit Courti Photography

Art/e (c) Benoit Courti Photography

Sofia não vive, Sofia sonha!
E bom, segundo Descartes “se penso logo existo”, e segundo eu se existo logo penso, então Sofia existe.

Sim existe fisicamente, tem um corpo, um rosto repleto de vida e jovialidade, tem uma mente sadia, é inteligente q.b., porém há tanto tempo que Sofia partiu!
O desapego que no início a existência a infligira como chicoteadas na pele fresca ainda, hoje era nada. Continuar a ler

NA ALDEIA DO GINGÃO


Art/e (c) Masha Sardi Photography

NA ALDEIA DO GINGÃO
Ao entardecer, na aldeia do Gingão, era sempre o mesmo fado.
Andava a Rita sem rédea, pelo terreiro bailando, com este, com aquele, com qualquer um!

Ai, o estupor da pequena!
– Ó Rita!
– Ó Rita!
– Ó Rita que te chego a roupa ao pelo! Continuar a ler

No Espírito do Rio


Art/e (c) Christopher J. Rivera Photography

No Espírito do Rio
Há tanto tempo que parti – dizes-me tu ainda assim sorrindo.
– Como podes ter partido, se vives, se tens uma ocupação, se amas, se te dás, se tens família, amigos?!
É tão simples – respondes-me. Quando já morreste e pouco mais importa em ti a não ser as necessidades básicasda vida, e nada do que és tem a ver com o Sistema onde forçosamente foste inserido, sabendo-te escravo dele, tendo a noção que a Liberdade é uma mentira, e a tua luta é sobretudo a de permaneceres inteiro e íntegro?! Continuar a ler

Sofia e a Pedra


Art/e (c) Mecuro B. Cotto Photography

Sofia e a Pedra
Sofia olha aquela pedra bem diante dela após todo aquele tempo, e é como se a imaginasse dizer-lhe:
– Tu sabes que fui eu quem te feriu naquele princípio de noite não sabes?
– Sei sim – responde Sofia. – Só agora te trouxeram até mim, nunca pensei que te tivessem encontrado. Continuar a ler

Uma Tertúlia no Campo


Art/e (c) Cheryl St John Painting

Uma Tertúlia no Campo
Hoje não estarei por aqui ligada à tecnologia.
Já por aqui passei, dei os bons dias aos amigos, enquanto me arranjava para o campo logo cedo, tomei o pequeno almoço e com um sorriso nos lábios e uma canção nos ouvidos. Fui embora.

Ainda nem seriam sete horas da manhã quando a porta se fechou por trás de mim. Continuar a ler

Quando As Almas Doem


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Art/e (c) Omar Ortiz Painting

Quando As Almas Doem
Sentada no café, com uma corda a apertar a garganta, percorria Sofia a sua extensa listagem de números da agenda do telemóvel. Tantos números, tanta gente para quem ligar e dividir aquela angústia que a corroía, mas com quem? Quem se importaria verdadeiramente com ela naquele momento?! Continuar a ler

A Auto-Estima


(c) “Google”

A Auto-Estima
Todos enchem a boca para falar de auto-estima!
Uns porque acham que você tem em demasia, mas grande parte por considerar que você não tem e deveria ter.
Pois eu considero que auto-estima tem tudo a ver com a nossa formação desde a família onde nascemos, ao meio social, às escolas por onde passamos e também, diria que a dado momento sobretudo, às pessoas com as quais nos damos e à profissão que temos ou não. Continuar a ler

ESTILHAÇOS DO TEMPO – Parte III


(c) “Google”

ESTILHAÇOS DO TEMPO – Parte III
Não sei qual o motivo, mas é-me necessário definir esta mulher. Talvez por me fazer recordar alguém, pelo seu semblante enigmático, quando olhado de súbito. Mas, não consigo, no fundo das imagens que me estalam na memória, saber quem me faz lembrar. Só sei que me faz lembrar alguém! Disso, tenho perfeita consciência. Continuar a ler

As bonecas da minha infância


bonecas da minha infância

Art/e (c) Wang Jiang Painting

As bonecas da minha infância
Foram escassas as bonecas da minha infância, talvez por isso me recorde tanto delas, e do seu afastamento de mim, sem nunca ter brincado com elas, porque não me era permitido.
A minha mãe não me deixava com receio de que eu as estragasse. Eram presente das tias ricas, irmãs do meu pai.
Não eram para eu brincar, eram só para de vez em quando eu poder olhar, nunca tocar, elas sempre dentro das caixas, lindas, e só quando eu pedia à minha mãe, sorrindo ela me deixava contemplá-las. Pobre mãe, eu sei que ela talvez não fizesse por mal. Continuar a ler

Só passado algum tempo


10 Art/e (c) Tzviatko Kinchev Painting

Art/e (c) Tzviatko Kinchev Painting

Só passado algum tempo, ela conseguiu digerir aquela pergunta tão directa, vinda de uma criança de sete anos, olhando-a de frente na mesa de um restaurante:
– Porque te mascaras tanto, é para te esconderes?
Somente a vida lhe diria a ela mesma, que sim, toda aquela maquilhagem carregada que usava como se de um ritual já se tratasse, verdadeiramente a escondia.
Ninguém precisava despir-lhe a alma.
Como são sábias as crianças na sua inocência. Continuar a ler

UM AMOR


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Linda, tinha sido Carmen, morena como o luar numa tarde de Agosto.
Sempre for a a rapariga mais cobiçada da aldeia, a mais invejada. Até sua Mãe temia por sua beleza ser tão grande.
Como era bela, a sua Carmen, contemplava-a aquela Mãe deslumbrada e envaidecida por ter concebido tal fruto no seu ventre. Continuar a ler

Mãe um dia um dia ofereci-te orquídeas


227506_180960131952929_5669559_n (1)Mãe, um dia ofereci-te orquídeas, as tuas flores de eleição e não as quiseste. Ficaste com elas, contrariada para me fazer a vontade, porque as flores dão muito trabalho, e tu preferias um belo perfume ou algo similar.
Recordo-me que foi num dia em que se celebrava o “Dia da Mãe”. Continuar a ler

Carta de Despedida Para Uma Mãe


13238863_996203717095229_4512253945541131046_nMinha querida Mãe,
(carta baseada em casos verídicos)
Perdoa-me mas o meu amor por ti não me permitiu desabafar a intensa angústia que me rasga de alto a baixo neste momento em que te escrevo, sabendo que quando leres estas palavras já não estarei aqui para te confortar, para te abraçar, para te dizer “mãezinha por favor não chores mais, senão eu choro também”, Continuar a ler

Quando a Beleza se torna Maldição


Art/e (c) Francine Van Hove Painting

Art/e (c) Francine Van Hove Painting

Quando a Beleza se torna Maldição

Lembram-se de Sofia?
Sofia quer falar, então eu vou deixar.
Vou ser sua narradora já que sou sua maior confidente ainda que não tenha habilitações de psicóloga, porém sempre fui sua melhor amiga desde a infância.

Por mais estranho que possa parecer Sofia agora perto dos cinquenta anos mas se sentindo a mesma menina de sempre, pois seu espírito não conseguira acompanhar todas as mazelas de seu corpo, Continuar a ler

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA


1170813_513287148755112_1798524116_nVIOLÊNCIA DOMÉSTICA
(um texto com alguma ficção e bastantes factos verídicos)
Quando é que a Mulher terá sua ‘Carta de Alforria’ e todo o crime de violência doméstica seja físico, seja psíquico ou ambas as situações seja severamente punido ao ponto de um homem olhar para o tal chamado ‘sexo fraco’ aquela mulher que tanto amava, que ele mesmo escolheu para partilhar a vida e possa pensar duas vezes antes de a agredir, olhando-a nos olhos tendo a noção que no momento em que o fizer a sua vida deixará de existir. Continuar a ler

Lisboa, cidade mãe


13557962_1015915751790692_3314671393801220992_nLisboa, cidade mãe.
Lisboa teve em mim o mesmo encanto de outrora, Sábado de manhã bem cedo.
Estava deliciosa, tão diferente dos outros dias da semana, acotovelando-se de gente, buzinadelas de automobilistas apressados beliscados de ansiedade e fúria como se tivessem sido picados pela ira de uma vespa! Continuar a ler