Por vezes há palavras incisivas


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Art/e (c) Brett Walker photography

Por vezes há palavras
incisivas
que nos dilaceram a pele
como um ferro em brasa
marcando-nos a alma já liberta.

Sabes quando permaneceste entre os rios hesitando até ao mar?
Nenhum rio poderá ser oceano, tal como nenhum oceano poderá desejar ser rio

Deixa que te levem as fráguas do tempo, o deslizar na enseada. Continuar a ler

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Podes rasgar-me o sangue à vontade


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Art/e (c) Antoine Villiers painting

Podes rasgar-me o sangue à vontade
nesse teu deserto
porque permanecerei viva
e ainda que meu grito seja uma orquestra mal emparelhada
não saberei dizer quem fui ou o que sou.

Apenas que do útero me fiz carne
e da carne, pó e daí não haverá memória. Continuar a ler

A alegria que trazias nos olhos


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Art/e (c) Victor Bauer Painting

A alegria que trazias nos olhos
Será sempre a mais fervorosa oração
Mulher-menina sempre em despedida
Desafiando temporais
Sorrindo no focinho dos chacais.

Ah, pudesse eu ter-te amado
Pudesse eu ter contido essa luz
E acolher-te nos braços
O embalo da doçura
Mas teus olhos foram o reflexo
Da humanidade Continuar a ler

Debruço-me do parapeito do silêncio


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Art/e (c)Antoine de Villiers Painting

Debruço-me do parapeito do silêncio
Disposta a agarrar uma réstia de nós
Mas tudo em mim são divagações
Entre as cortinas da sala e o passado.

Rodopio como uma mariposa entre a luz e o descalabro
E tudo em mim é lume, ânsia de absoluto

Porém danço nas tuas mãos
Sempre nelas me despirei,
Esta paixão que em mim delira
Como num primeiro dia. Continuar a ler

A Pastelaria Defronte À Casa Vazia De Mim


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Art/e © Gabe Tomoiaga photography

A Pastelaria Defronte À Casa Vazia De Mim
Na pastelaria defronte à casa vazia de mim
Onde habito
Distraio-me nas gargalhadas imbecis
Das gentes rotineiras que absorvem meias de leite e galões
Fazendo uma espécie de orquestra com o autocarro parado adiante
Falando da vida alheia Continuar a ler

NÃO TE DIREI ADEUS, MÃE


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Art/e (c) Dicovert.Art)

NÃO TE DIREI ADEUS, MÃE
Subitamente, teu sorriso de aurora, num botão de rosa
a resplandecer devoção,
como melodias de outrora.
Segredos nossos Mãe, pelo Jardim da evasão.

A visão dos teus olhos de mel ancorados
beijei
e ao firmamento roubei a luz cadente
para te consagrar de alegria entrelaçada
às minhas pequeninas mãos de lamento,
porém, a aninharem-se nas tuas, contentes! Continuar a ler

Tantos gritos embatem contra as paredes


tantos-gritos

Art/e (C( Edward Zulawsk Photography

Tantos gritos embatem contra as paredes
Da casa habitada de nada,
Ainda que Mozart faça escorrer linho
Dos cabelos frágeis
E desperte o sémen às flores,
Sempre os ardentes gritos matinais
Os mais noctívagos, os sonolentos
A transbordar o cérebro das gentes. Continuar a ler